Quando um empresário brasileiro tenta colocar um produto nos Estados Unidos, enfrenta todos os tipos de proteção. O exemplo disso é o caso da exportação de camarões de cativeiro. A legislação neste caso é tão específica que determina os milímetros que cada um deve ter para ser comercializado no mercado local. Já os brasileiros, abrem os braços para os estrangeiros, mesmo que isso signifique desequilíbrio do mercado local e evasão de divisas. É o que acontece no caso dos navios de cruzeiro, que estão chegando em cardume e sangrando o mercado hoteleiro nacional durante a alta estação.
Glamour à parte, a presença desses transatlânticos está fazendo duas vítimas: a hotelaria e a balança cambial. Os hotéis são atingidos por uma concorrência de hotéis flutuantes, todos 5 estrelas e com mão-de-obra estrangeira, que singram em circuito fechado o nosso litoral e, quando se afastam da nossa costa, abrem os seus cassinos. A presença brasileira entre os funcionários é pífia e limita-se a animadores e artistas modestamente remunerados. Já a balança cambial sofre porque todos os contratos são realizados em dólar e o pagamento é realizado no exterior, ou seja, a parte maior da receita vai para cofres estrangeiros.
Para operar no Brasil, estes navios deveriam estar atrelados a uma contrapartida no turismo doméstico e na entrada de divisas. Entre os operadores marítimos, o único que se enquadra na geração de emprego locais, na entrada de divisas e no fomento ao turismo doméstico é a CVC. A sua operação hoteleira e o fomento do turismo doméstico contrabalançam a operação de contratar os navios no exterior.
Já as outras, não oferecem esta contrapartida. Vejam, por exemplo, a Costa Cruzeiros. Há anos os seus navios cruzam os nossos mares e há anos o seu caminhão de dólares (ou melhor, seu navio de dólares...) é enviado para o exterior. Se ela usasse sua força de venda no mundo para promover o mercado brasileiro, trazendo turistas do exterior para navegar no Brasil, a conta estaria equilibrada. Mas isso só ocorre de forma tênue. Os cruzeiros são customizados para brasileiros e agora, com a mania das viagens temáticas, só embarcam passageiros que pagam em real.
Não se trata de proibir, mas de exigir uma contrapartida que compense os danos causados à nossa hotelaria e à nossa balança comercial.
Sob o ataque cerrado da hotelaria, os operadores criaram a Abremar, uma associação presidida pelo competente Eduardo Vampré Nascimento, que tem a luta inglória de defender o indefensável. Fala-se em geração de empregos, em consumo no mercado doméstico, mas as planilhas dos números que são apresentados para calar os críticos da atuação predatória dos navios nunca são apresentadas. Algumas perguntas jamais foram contabilmente respondidas. Por exemplo, qual o volume de remessas que todos esses fretamentos resultaram em uma única alta estação?
Por outro lado, a hotelaria fica ainda mais fragilizada com a cristalização pela imprensa do medo de voar. Quem depende do avião, como é o caso dos hotéis do Nordeste, acaba preso em uma equação injusta.
O mais grave de tudo é que os hotéis no Brasil não são sazonais, ou seja, não abrem apenas na alta estação. É neste período, exatamente o mesmo no qual eles são atacados pela ferocidade dos cruzeiros, que vem a receita necessária para o equilíbrio das contas.
Não se trata de combater um segmento do turismo, mas sim de dar um alerta, principalmente quando a mídia especializada fica amordaçada pela forte presença publicitária dos navios em suas páginas. O Jornal de Turismo foi o primeiro a dar o alerta neste mesmo espaço. Defender a hotelaria faz parte do nosso DNA há 43 anos.
O que esperamos é que a mobilização da hotelaria sirva de alerta ao poder público sobre a necessidade, não de proibir, mas de exigir contrapartidas, como de forma natural a própria CVC vem realizando, a ponto de ter deixado durante todo o ano o navio Pacific fundeado no Nordeste e navegando com portugueses para Fernando de Noronha.
Se no Brasil falta capital para termos os nossos próprios navios e armadores com capacidade de ter uma frota verde amarela, temos que preservar e proteger o nosso empresariado e colocar um freio nesta operação que é, sim, uma clara evasão de divisas. Para um país com as dificuldades sociais que temos, preservar quem gera emprego é uma obrigação, principalmente quando estes empregos são gerados 365 dias por ano.
No campo do meio ambiente já existe um mecanismo que leva empresários a compensar, via seqüestro de carbono, ações e até agressões à natureza. O megaevento da Red Bull realizado na Praia de Botafogo, no Rio, foi compensado com a plantação de cinco mil árvores. Por que não fazer um mecanismo de proteção que compense? Uma das idéias é que para lotação total de cada viagem, uma parte das cabines só possa ser comercializada para residentes no exterior. Assim, a entrada de dólares estaria garantida e forçaria cada fretante a utilizar a sua força no exterior para promover o Brasil. Como está, só perde o País e, principalmente, os empresários que resolveram apostar na nossa hotelaria.
Glamour à parte, a presença desses transatlânticos está fazendo duas vítimas: a hotelaria e a balança cambial. Os hotéis são atingidos por uma concorrência de hotéis flutuantes, todos 5 estrelas e com mão-de-obra estrangeira, que singram em circuito fechado o nosso litoral e, quando se afastam da nossa costa, abrem os seus cassinos. A presença brasileira entre os funcionários é pífia e limita-se a animadores e artistas modestamente remunerados. Já a balança cambial sofre porque todos os contratos são realizados em dólar e o pagamento é realizado no exterior, ou seja, a parte maior da receita vai para cofres estrangeiros.
Para operar no Brasil, estes navios deveriam estar atrelados a uma contrapartida no turismo doméstico e na entrada de divisas. Entre os operadores marítimos, o único que se enquadra na geração de emprego locais, na entrada de divisas e no fomento ao turismo doméstico é a CVC. A sua operação hoteleira e o fomento do turismo doméstico contrabalançam a operação de contratar os navios no exterior.
Já as outras, não oferecem esta contrapartida. Vejam, por exemplo, a Costa Cruzeiros. Há anos os seus navios cruzam os nossos mares e há anos o seu caminhão de dólares (ou melhor, seu navio de dólares...) é enviado para o exterior. Se ela usasse sua força de venda no mundo para promover o mercado brasileiro, trazendo turistas do exterior para navegar no Brasil, a conta estaria equilibrada. Mas isso só ocorre de forma tênue. Os cruzeiros são customizados para brasileiros e agora, com a mania das viagens temáticas, só embarcam passageiros que pagam em real.
Não se trata de proibir, mas de exigir uma contrapartida que compense os danos causados à nossa hotelaria e à nossa balança comercial.
Sob o ataque cerrado da hotelaria, os operadores criaram a Abremar, uma associação presidida pelo competente Eduardo Vampré Nascimento, que tem a luta inglória de defender o indefensável. Fala-se em geração de empregos, em consumo no mercado doméstico, mas as planilhas dos números que são apresentados para calar os críticos da atuação predatória dos navios nunca são apresentadas. Algumas perguntas jamais foram contabilmente respondidas. Por exemplo, qual o volume de remessas que todos esses fretamentos resultaram em uma única alta estação?
Por outro lado, a hotelaria fica ainda mais fragilizada com a cristalização pela imprensa do medo de voar. Quem depende do avião, como é o caso dos hotéis do Nordeste, acaba preso em uma equação injusta.
O mais grave de tudo é que os hotéis no Brasil não são sazonais, ou seja, não abrem apenas na alta estação. É neste período, exatamente o mesmo no qual eles são atacados pela ferocidade dos cruzeiros, que vem a receita necessária para o equilíbrio das contas.
Não se trata de combater um segmento do turismo, mas sim de dar um alerta, principalmente quando a mídia especializada fica amordaçada pela forte presença publicitária dos navios em suas páginas. O Jornal de Turismo foi o primeiro a dar o alerta neste mesmo espaço. Defender a hotelaria faz parte do nosso DNA há 43 anos.
O que esperamos é que a mobilização da hotelaria sirva de alerta ao poder público sobre a necessidade, não de proibir, mas de exigir contrapartidas, como de forma natural a própria CVC vem realizando, a ponto de ter deixado durante todo o ano o navio Pacific fundeado no Nordeste e navegando com portugueses para Fernando de Noronha.
Se no Brasil falta capital para termos os nossos próprios navios e armadores com capacidade de ter uma frota verde amarela, temos que preservar e proteger o nosso empresariado e colocar um freio nesta operação que é, sim, uma clara evasão de divisas. Para um país com as dificuldades sociais que temos, preservar quem gera emprego é uma obrigação, principalmente quando estes empregos são gerados 365 dias por ano.
No campo do meio ambiente já existe um mecanismo que leva empresários a compensar, via seqüestro de carbono, ações e até agressões à natureza. O megaevento da Red Bull realizado na Praia de Botafogo, no Rio, foi compensado com a plantação de cinco mil árvores. Por que não fazer um mecanismo de proteção que compense? Uma das idéias é que para lotação total de cada viagem, uma parte das cabines só possa ser comercializada para residentes no exterior. Assim, a entrada de dólares estaria garantida e forçaria cada fretante a utilizar a sua força no exterior para promover o Brasil. Como está, só perde o País e, principalmente, os empresários que resolveram apostar na nossa hotelaria.