Dentro de todo o trauma por que passou o trade turístico de Santa Catarina com a ação da Polícia Federal, que, como se apurou, levou de forma injusta os mais importantes nomes do setor ao pelourinho público, um único fato positivo surgiu no final deste tenebroso túnel. Trata-se da postura corajosa do governador do Estado, Luiz Henrique da Silveira, que demonstrou toda a sua coragem e fibra ao se contrapor ao excesso cometido contra Fernando Marcondes, empresário e presidente do Costão do Santinho e Marcílio Ávilla, presidente da Santur (Empresa de Turismo de Santa Catarina) e vereador de Florianópolis.
No caso do Marcondes, o governador abriu o Palácio e recebeu o empresário para um jantar. Avalizou publicamente a sua lisura e atuação empresarial à frente de um empreendimento que mudou a história do turismo catarinense. Ao fazer isso, o governador foi o porta-voz de uma sociedade que estava indignada em ver um dos homens mais sérios do setor empresarial catarinense e o maior empregador da ilha de Florianópolis incluído injustamente em uma operação policial que teve como foco principal outros envolvidos.
A decisão de Luiz Henrique, de receber para um jantar de desagravo o casal Iolanda e Fernando Marcondes, chegou a ser duramente criticada em manchete condenatória do jornal "Folha de São Paulo", que, tendenciosamente, proclamava o ato como estarrecedor, como se o empresário fosse um criminoso. Em nenhum momento o jornal paulistano se debruçou sobre o fato para entender que a pessoa recebida pelo governador não era um bandido, mas sim uma vitima de truculência jurídica que o privou da liberdade por 36 horas e o submeteu ao canibalismo de uma imprensa voraz e incapaz de reparar, com igual veemência, os erros de suas manchetes.
A mesma atitude digna e corajosa teve o governador Luiz Henrique com o seu auxiliar Marcílio Ávilla, atual presidente da Santur e um dos novos valores da política de Santa Catarina. Vereador de Florianópolis por dois mandatos e presidente da Câmara por um, onde realizou um trabalho moralizante que o credenciou para a reeleição, Ávilla também teve o seu nome incluído injustamente no processo e chegou a ter a sua prisão provisória decretada. Se não estivesse no exterior em missão oficial, ele teria passado pelo vexame de ser preso e algemado equivocadamente. Regressando ao país, ele foi depor e, já que não havia nada que justificasse a sua inclusão no processo, foi liberado imediatamente. Ele foi recebido pelo governador e não apenas foi mantido no cargo como Luiz Henrique fez questão de reafirmar publicamente a sua confiança em Ávilla e na sua inocência no processo.
É notável o trabalho que ele vem desenvolvendo à frente do turismo catarinense. Em cinco meses na presidência da Santur, promoveu uma valorização do órgão e do pessoal da casa, ampliou um diálogo com o trade e trouxe uma transparência nunca vista anteriormente. Cada ação da empresa é rigorosamente prestada conta para todos os dirigentes do turismo catarinense. Interromper este trabalho de promoção do Estado é que seria um crime.
São nessas horas de fogo, onde as pessoas se acovardam e se escondem em um pré-julgamento doentio de se considerar o outro como culpado até que se prove a inocência, subvertendo um milenar princípio do direito, é que se tem a oportunidade de conhecer o caráter do governante e dos homens públicos. O caso do governador Luiz Henrique é exemplar, fruto de uma coerência política que o levou a se afastar do Governo para enfrentar uma reeleição. Fruto de um passado de luta e aguerrimento. Ao lembrar da sua própria prisão na época da ditadura e do drama que sua família enfrentou, Luiz Henrique virou um leão. É um exemplo para outros governantes e um contraponto importante para estabelecer um limite que ajude a preservar o estado de direto. Atitudes que o credenciam para vôos mais altos em um cenário republicano tão pobre de homens da sua têmpera.
A grande vítima seria na verdade o próprio Estado de Santa Catarina, que sem a reação altiva do seu Governador passaria ao mundo que os investidores estavam órfãos, que os empreendedores corriam riscos. Mesmo assim, a primeira reação do empresariado nacional foi de susto. Investidores internacionais já não pensam mais em empreender em equipamentos turísticos de Florianópolis. O trabalho do Governo será de reconstrução desta credibilidade. O governador já deu o primeiro passo. E um belíssimo passo, que merece ser aplaudido em pé