
A visita da executiva nacional da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo (Abrajet) a Fernando de Noronha será um marco na história do turismo local. Pela primeira vez uma entidade do trade leva os seus dirigentes nacionais ao arquipélago e pela primeira vez há uma interação profunda entre os moradores locais e os profissionais da imprensa especializada em turismo. Tudo isso ocorreu por um fator que facilitou este diálogo: o comando da ilha estar na mão de um profissional do setor e os empresários locais estarem organizados em uma associação. Transportados pela Gol/Varig, 42 jornalistas visitaram a ilha e tiveram a oportunidade de conhecer as pousadas-familiares, na verdade, meios de hospedagem que já beiram a sofisticação e contrapõem o aspecto de improvisação.
O mais importante é que a ilha passa por um processo de profunda reavaliação. O turismo é a sua atividade econômica principal e nos últimos oito anos houve um crescimento desordenado da estrutura e uma falência dos serviços públicos, principalmente no que se refere ao fornecimento de água e de luz.

O governador Eduardo Campos convidou Romeu Neves Batista [foto], ex-diretor da Embratur, ex-chefe da Casa Civil do governo Carlos Wilson e ex-secretário de Turismo do Recife, para ser o administrador de Noronha. Pela primeira vez a gestão será realizada por um homem que conhece e entende a vocação turística do arquipélago e com um relacionamento nacional.
Para o governador atual, a ilha tem um significado sentimental. Foi lá que o seu avô, o então governador Miguel Arraes, ficou preso quando foi arrancado pela ditadura do Palácio de Campos das Princesas.
A busca de uma identidade
Falta ao produto turístico de Noronha uma identidade que tire o turista de uma viagem meramente contemplativa e das atrações do sol e mar. A ilha tem história e esta precisa ser resgatada. É lamentável o estado do seu patrimônio histórico. É como se o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) não existisse. O edifício da cadeia pública já perdeu um pedaço considerável do teto e sofreu invasão de sem-tetos. O Forte da Vila dos Remédios está em condição precária, isso sem contar o próprio memorial da ilha, que está completamente deteriorado. Até o painel onde estava o retrato do governador Miguel Arraes foi rabiscado, para apagar a imagem do ex-dirigente.
Falta para o produto turístico alguns elementos básicos, como a escolha e valorização de um prato típico. Os primeiros moradores, antes da existência da geladeira, utilizavam um peixe salgado (e a salga era realizada durante dias no sol em um verdadeiro ritual) que serviam com fruta-pão frito. Em nenhum restaurante é possível degustar este prato que é batizado de "Peixe escalado".
A população noronhense é formada por descendentes de três diferentes grupos: ex-prisioneiros, militares e servidores públicos. A administração está realizando um senso para saber o número exato de residentes, que hoje não deve superar quatro mil pessoas. O surgimento de equipamentos de luxo, como a Pousada Maravilha, está obrigando a importação de uma mão-de-obra especializada. São 50 funcionários para oito suítes. A pousada do Zé Maria é outra de luxo e muito conceituada pela gastronomia. Nas duas, os preços dos restaurantes são módicos. As pousadas familiares, são 104 oficiais, oferecem uma média de 5 a 8 apartamentos e entre elas a Água Viva e Mar Aberto são destaques. Pertencem a moradores e possuem decoração temática que contou com o apoio do Senac em sua implantação.
Para o presidente da Associação de Pousadas Familiares, João Maria Mello – proprietário da Pousada Tio João, "o público não tem uma idéia real da evolução das pousadas noronhenses. Elas têm base nos fundamentos da hotelaria e os nossos investimentos são constantes." O que precisa ser resolvido é a questão relacionada ao abastecimento de água potável, o dessalinizador da ilha só produz 40 mil litros por hora, o que obriga a um eterno racionamento. A máquina só não produz mais porque é obrigada a funcionar fora dos horários de pico do consumo de energia da ilha.
Para o administrador da ilha, Romeu Batista, os primeiros 90 dias da sua gestão estão sendo para levantar os problemas e principalmente para buscar uma solução que tenha sempre o turismo como prioridade. "Sou um homem que nasceu e viveu trabalhando com o turismo, administrar Noronha é um desafio", afirma Romeu, que ressalta a segurança da ilha como o principal atrativo. "Aqui os banqueiros podem circular sem segurança e até artistas internacionais são tratados como pessoa comum. Em que lugar do mundo é possível vivenciar este tipo de sensação? Devemos é investir no turismo de qualidade e qualificado, esta é a vocação natural da ilha", conclui o administrador, que no início de maio trouxe o presidente da CVC para uma visita de algumas horas e acertou parcerias com a maior operadora do País.
Atitude criminosa do Ibama
No resgate da história da ilha está a sua importância estratégica durante a Segunda Guerra Mundial e durante a Guerra Fria. A ilha foi base da Força Aérea Norte-Americana e, ao lado de Natal/RN, formava o famoso "Trampolim para a Vitória". No final dos anos 1950 o Governo JK autorizou a instalação de uma base para rastreamento de mísseis. O órgão ambiental que é voltado a preservação da natureza demonstra não dar a mínima para preservar a história. É exatamente esta presença americana de 50 anos atrás que esta sendo riscada do mapa pelo Ibama. Os "iglus" que faziam parte da base americana e que se transformaram no primeiro hotel da ilha estão se deteriorando e dois deles foram irresponsavelmente demolidos para dar lugar à base do Projeto Tamar. Eles poderiam ser reformados, receber as cores e padrões originais da base norte-americana e virar um museu sobre a presença deles na ilha e a importância que Noronha teve na Segunda Guerra Mundial.
Os prédios remanescentes da base são uma raridade e deveriam ser tombados imediatamente, principalmente quando se sabe que parte deles estão sendo cedidos para moradia de pessoas sem nenhuma vinculação com o Ibama.
Cláudio Magnavita / JT
Fotos:1- Jornalistas da Abrajet em Fernando de Noronha2- Romeu Neves Batista3- João Melo e Max4 - Ibama destruindo traços da presença americana na Ilha
Para o governador atual, a ilha tem um significado sentimental. Foi lá que o seu avô, o então governador Miguel Arraes, ficou preso quando foi arrancado pela ditadura do Palácio de Campos das Princesas.
A busca de uma identidade
Falta ao produto turístico de Noronha uma identidade que tire o turista de uma viagem meramente contemplativa e das atrações do sol e mar. A ilha tem história e esta precisa ser resgatada. É lamentável o estado do seu patrimônio histórico. É como se o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) não existisse. O edifício da cadeia pública já perdeu um pedaço considerável do teto e sofreu invasão de sem-tetos. O Forte da Vila dos Remédios está em condição precária, isso sem contar o próprio memorial da ilha, que está completamente deteriorado. Até o painel onde estava o retrato do governador Miguel Arraes foi rabiscado, para apagar a imagem do ex-dirigente.
Falta para o produto turístico alguns elementos básicos, como a escolha e valorização de um prato típico. Os primeiros moradores, antes da existência da geladeira, utilizavam um peixe salgado (e a salga era realizada durante dias no sol em um verdadeiro ritual) que serviam com fruta-pão frito. Em nenhum restaurante é possível degustar este prato que é batizado de "Peixe escalado".
A população noronhense é formada por descendentes de três diferentes grupos: ex-prisioneiros, militares e servidores públicos. A administração está realizando um senso para saber o número exato de residentes, que hoje não deve superar quatro mil pessoas. O surgimento de equipamentos de luxo, como a Pousada Maravilha, está obrigando a importação de uma mão-de-obra especializada. São 50 funcionários para oito suítes. A pousada do Zé Maria é outra de luxo e muito conceituada pela gastronomia. Nas duas, os preços dos restaurantes são módicos. As pousadas familiares, são 104 oficiais, oferecem uma média de 5 a 8 apartamentos e entre elas a Água Viva e Mar Aberto são destaques. Pertencem a moradores e possuem decoração temática que contou com o apoio do Senac em sua implantação.
Para o presidente da Associação de Pousadas Familiares, João Maria Mello – proprietário da Pousada Tio João, "o público não tem uma idéia real da evolução das pousadas noronhenses. Elas têm base nos fundamentos da hotelaria e os nossos investimentos são constantes." O que precisa ser resolvido é a questão relacionada ao abastecimento de água potável, o dessalinizador da ilha só produz 40 mil litros por hora, o que obriga a um eterno racionamento. A máquina só não produz mais porque é obrigada a funcionar fora dos horários de pico do consumo de energia da ilha.
Para o administrador da ilha, Romeu Batista, os primeiros 90 dias da sua gestão estão sendo para levantar os problemas e principalmente para buscar uma solução que tenha sempre o turismo como prioridade. "Sou um homem que nasceu e viveu trabalhando com o turismo, administrar Noronha é um desafio", afirma Romeu, que ressalta a segurança da ilha como o principal atrativo. "Aqui os banqueiros podem circular sem segurança e até artistas internacionais são tratados como pessoa comum. Em que lugar do mundo é possível vivenciar este tipo de sensação? Devemos é investir no turismo de qualidade e qualificado, esta é a vocação natural da ilha", conclui o administrador, que no início de maio trouxe o presidente da CVC para uma visita de algumas horas e acertou parcerias com a maior operadora do País.
Atitude criminosa do Ibama
No resgate da história da ilha está a sua importância estratégica durante a Segunda Guerra Mundial e durante a Guerra Fria. A ilha foi base da Força Aérea Norte-Americana e, ao lado de Natal/RN, formava o famoso "Trampolim para a Vitória". No final dos anos 1950 o Governo JK autorizou a instalação de uma base para rastreamento de mísseis. O órgão ambiental que é voltado a preservação da natureza demonstra não dar a mínima para preservar a história. É exatamente esta presença americana de 50 anos atrás que esta sendo riscada do mapa pelo Ibama. Os "iglus" que faziam parte da base americana e que se transformaram no primeiro hotel da ilha estão se deteriorando e dois deles foram irresponsavelmente demolidos para dar lugar à base do Projeto Tamar. Eles poderiam ser reformados, receber as cores e padrões originais da base norte-americana e virar um museu sobre a presença deles na ilha e a importância que Noronha teve na Segunda Guerra Mundial.
Os prédios remanescentes da base são uma raridade e deveriam ser tombados imediatamente, principalmente quando se sabe que parte deles estão sendo cedidos para moradia de pessoas sem nenhuma vinculação com o Ibama.
Cláudio Magnavita / JT
Fotos:1- Jornalistas da Abrajet em Fernando de Noronha2- Romeu Neves Batista3- João Melo e Max4 - Ibama destruindo traços da presença americana na Ilha